12/3/08
Para proteger esse Cerrado
Para proteger esse Cerrado
Por Renata Chamarelli
Cada um tem que fazer a sua parte. O lema se tornou uma obrigação na era do aquecimento global. Pensando nisso, a ONG Amigos do Futuro lançou o programa Plantando o Futuro, que tem como objetivo neutralizar emissões de dióxido de carbono geradas por pessoas, empresas e eventos. Trata-se do primeiro programa de neutralização de carbono na região do cerrado. «Vamos colaborar plantando mudas de árvores», explicou a presidente da ONG, Rejane Pieratti. O programa vai priorizar áreas degradadas, plantando espécies naturais da própria região.
Segundo Pieratti, o cerrado foi escolhido por ser o segundo maior bioma do Brasil. Mesmo ocupando dois milhões de quilômetros quadrados, espalhados por 14 estados, o cerrado ainda é pouco preservado de acordo com a ecologista. "Apesar de ter uma grande biodiversidade, o cerrado é o bioma menos protegido pelas leis brasileiras e tem sofrido grande pressão com a expansão da fronteira agrícola», disse. Além disso, a região abriga inúmeras nascentes". O cerrado é conhecido por ser o berço das águas e possuir nascentes de bacias hidrográficas importantes», destacou. Nele estão, por exemplo, as nascentes das bacias dos rios São Francisco (rio Preto), Prata (rios São Bartolomeu e Descoberto) e Araguaia-Tocantins (rio Maranhão).
A primeira empresa a aderir ao programa foi a churrascaria Porcão. Para compensar suas emissões de dióxido de carbono, geradas durante o período de um ano, o restaurante vai plantar 2.533 árvores. Para chegar a esse número, a empresa MaxAmbiental, somou a quantidade de carbono emitida na utilização de transportes, energia elétrica e lixo orgânico. "Vale lembrar que as emissões de um ano da churrascaria serão compensadas ao longo de toda a vida das 2,5 mil árvores plantadas", afirmou.
De acordo com Eduardo Petit, da MaxAmbiental, das 506,4 toneladas de carbono emitidas pelo restaurante, 413,9 advém do lixo orgânico. Ele ressaltou que este é o pior tipo de poluição. "O gás metano, produzido pelo lixo orgânico, é 21 vezes mais prejudicial para o efeito estufa do que o carbono", explicou, ao defender alternativas mais sustentáveis.
As mudas serão compradas do viveiro da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso do Distrito Federal (Funap), parceira da Ong Amigos do Futuro no programa. Já as nascentes, serão escolhidas com base no levantamento feito pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do DF (Seduma/DF), também parceira. São cerca de 200 nascentes cadastradas pelo órgão e precisando de cuidados.
Também apoiam o projeto a SOS Mata Atlântica e a Frente Parlamentar Ambientalista. No lançamento do programa, o deputado federal Sarney Filho (PV-MA), coordenador da frente, ressaltou que a Terra não pode mais repor o que a gente retira. "Estamos atuando no Congresso Nacional, mas o mais importante é a conscientização geral da população sobre a importância de preservar o meio ambiente", afirmou o parlamentar.
Participar do programa e ficar em dia com o meio ambiente é bastante simples. Depois de calcular as emissões de carbono, basta escolher uma nascente. O resto, plantar e monitorar o crescimento das mudas por cinco anos, fica por conta da Ong. Para identificar as empresas que aderiram ao programa, basta procurar os "Carbono Zero" e "Plantando o Futuro", ambos concedidos pela Amigos do Futuro.
Várias empresas estão aderindo
A ONG Amigos do Futuro atua há dez anos em Brasília e não é a única a desenvolver programas na área de responsabilidade social e ambiental. Em Brasília, já existem várias organizações aderindo a essa moda. Além de plantar árvores para compensar as emissões de carbono, há outras formas de colaborar para a preservação do meio ambiente. Uma delas é a ONG Rodas da Paz, que recebe a doação de bicicletas novas, usadas, com defeitos ou quebradas. Depois de passar por uma reforma ou conserto, as bicicletas são doadas para creches e crianças carentes. No caso das bicicletas que não têm conserto, a ONG aproveita as peças para fazer tricicletas para deficientes físicos.
A 100 Dimensão presta um serviço parecido, mas com eletrodomésticos. Assim como a Rodas da Paz, eles também recebem peças usadas e com pequenos defeitos para consertar e repassar para pessoas carentes. A Voriques Óptica também atua da mesma forma, recebendo óculos com defeito ou quebrados para reformar e doar para idosos e crianças carentes.
Já a loja Body Island, que vende roupas de fitness, faz a sua parte recolhendo sandálias Melissa usadas. Feitas de material plástico, elas são recicladas e muitas vezes transformadas em novas sandálias. Elas também já estão preparando a adesão ao programa "Plantando o Futuro".
Fonte: Jornal Hoje em DIA - Belo Horizonte - MG - 15/07/2007.
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