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18/4/08

Decisão inédita sobre Publicidade Ambiental

Conar suspende veiculação de anúncios da Petrobras

O Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) anunciou, nesta quinta-feira (17/4), a decisão de suspender a veiculação de dois anúncios publicitários da Petrobras, por divulgarem a idéia falsa de que a estatal tem contribuído para a qualidade ambiental e o desenvolvimento sustentável do país. A decisão do Conar implica a retirada imediata da veiculação dos comerciais. No entanto, a empresa ainda poderá recorrer da decisão. A Petrobras, através de nota, informou que ainda não foi comunicada oficialmente sobre qualquer decisão do Conar.

O Conar julgou ação movida por entidades governamentais e não-governamentais, como as secretarias estaduais de meio ambiente de São Paulo e Minas Gerais, do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo, o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o Greenpeace, a ONG Amigos da terra - Amazônia Brasileira, o Instituto Akatu, o Movimento Nossa São Paulo, a SOS Mata Atlântica, a Fundaçao Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável - FBDS, e o IBAP - Instituto Brasileiro de Advocacia Pública.

O julgamento do Conar ocorreu em sessão fechada, da qual participaram o secretário adjunto da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Pedro Ubiratan Escorel de Azevedo; o secretário Municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge; o médico e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, Paulo Saldiva; o representante do Movimento Nossa São Paulo, Oded Grajew; e o diretor de campanhas do Greenpeace, Marcelo Furtado.

A decisão, inédita, abre precedente para uma mudança no comportamento do mercado publicitário.

- O resultado do julgamento é um marco na história do Conar, que optou por não compactuar com a morte de 3 mil pessoas por ano só na capital paulista - comemorou Oded Grajew.

- É a escolha entre a vida e a morte. A empresa não pode provocar confusão na cabeça das pessoas com uma publicidade que distorce a realidade - completou Marcelo Furtado.

Em sua defesa, os representantes da agência DPZ e da própria Petrobras argumentaram que a resolução do Conama não determina a diminuição da quantidade de enxofre no diesel comercializado no País, afirmaram que a empresa atua de forma "lícita e regulamentada" e que o "diesel não é o único responsável pela poluição veicular". Sérgio Fontes, da área de abastecimento da Petrobrás, chegou a dizer que a qualidade do ar em São Paulo "é aceitável e que as mortes são de outra natureza".

A declaração foi contestada pelo médico Paulo Saldiva:

- Para nós, médicos, a qualidade do ar não é aceitável. Nosso estudo segue a metodologia recomendada pela Organização Mundial de Saúde, que é taxativa ao declarar a morte de 2 milhões de pessoas em todo o mundo por causa da poluição atmosférica.

Com a decisão do Conar, ficam suspensas as seguintes campanhas, que incluem mídia impressa e eletrônica: "Petrobras - Sonhar pode valer muito" e "Petrobras - Estar no meio ambiente sem ser notada".

 

Fonte: O Globo Online

criado por zazaa978    11:14 — Arquivado em: Notícias Nacionais *

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