30/7/08
O Engenheiro Ambiental e o Ambientalista
Por Gisele Benedicto¹
Envolvida numa discussão em um site de relacionamentos sobre o tema, um integrante argumenta sobre o fato de um engenheiro ambiental ser rotulado de ambientalista. Muitas pessoas expressaram suas opiniões, fossem eles contra ou a favor à questão levantada e lendo as opiniões de cada participante, pude construir meu próprio ponto de vista sobre o tema e tentarei descrevê-lo a seguir.
Através dos anos pudemos observar as diversas formas de manifestações que os ambientalistas encontraram com o objetivo de chamarem a atenção da população local ou mundial para as problemáticas ambientais. E devemos essas atitudes em grande parte às ONGs ou a organizações mundiais de defesa do meio-ambiente como a WWF, Greenpeace entre outras. Os protestos de defesa em prol do meio-ambiente variam das mais diversas formas, seja com um grupo de ambientalistas protestando em um barco em frente a uma plataforma de exploração de petróleo, invadindo os locais onde há caça de animais permitidos por lei, como a caça às focas, veados e outras espécies de animais ou protestando contra a implantação de alguma indústria com alto potencial poluidor em uma área de preservação. Ou seja, essa é a visão que o mundo tem sobre os ambientalistas, pessoas que agem em prol da preservação ambiental e com atitudes ecologicamente corretas e ao mesmo tempo extremistas.
O que despertou meu interesse pelo tema foi perceber que muitos colegas de profissão, gestores e engenheiros ambientais, sentiram-se incomodados ao serem comparados aos ambientalistas, como se esse rótulo fosse um fardo negativo e de grande incômodo, algo que soaria como uma descaracterização e desmerecimento profissional.
Minha opinião sobre o tema é bem simples: nenhum cidadão precisa de um título ou carregar um diploma embaixo do braço para ser ambientalista. Ser ambientalista em grande parte dos casos está muito mais relacionado a um modo de vida do que simplesmente exercer uma profissão na área. Tenho em mente que nós que trabalhamos nessa profissão, atuamos como ambientalistas institucionalizados, pois temos como dever zelar pela integridade e preservação ambiental, em consonância com os princípios e objetivos dos demais defensores, ao mesmo tempo em que tiramos dessa atividade nossa fonte de renda.
Sei que muitos profissionais não gostam de serem comparados a manifestantes extremistas, entretanto devemos entender que a causa é mais que nobre, diria que é essencial. O fato de obter um grau cuja descrição seja acrescida da palavra AMBIENTAL acarreta uma exposição no mercado de trabalho e na sociedade semelhante à imagem transmitida pelos defensores das causas ambientais, entretanto, a única diferença existente é que fazemos disso mais do que um modo de vida, como também de um meio de sobrevivência.
¹ Gisele Benedicto é graduanda em Engenharia Ambiental pela PUC-Rio e em Gestão Ambiental pelo IST Paracambi - RJ. Também possui formação Técnica em Meio Ambiente pelo Cefet de Química de Nilópolis - RJ.
Contato: giselebenedicto@gmail.com
Homepage: www.ambienteconsultoria.blogspot.com
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