O sudeste de Goiás conquistou fama turística por possuir uma das maiores estâncias de águas termais do mundo, com reservas cristalinas, quentes e balneáveis, sem qualquer característica vulcânica. As águas da chuva penetram pelas fissuras das rochas no platô da Serra de Caldas, descem a aproximadamente 1200m, atingem uma temperatura de 50ºC e evaporam. Ao retornar à superfície, o vapor se mistura às águas dos lençóis freáticos e emerge em fontes com temperatura natural de 37ºC.
“A Serra de Caldas é como se fosse uma parte da terra que subiu e, na parte de cima é totalmente plana”, explica o geólogo e hidrogeólogo do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Sebastião Peixoto Filho. Ele conta que são o arranjo estrutural e o aspecto geomorfológico das rochas que facilitam a recarga dos aqüíferos fazendo com que as águas termais do oeste da serra sejam raros. “Poucos lugares no mundo são semelhantes”, diz.
Toda essa potencialidade turística atrai, não apenas inúmeros visitantes, como também investidores do setor hoteleiro que enxergam nas águas quentes, fontes inesgotáveis capazes de sustentar verdadeiros rios de dinheiro.
Durante anos, essa exploração andou de mãos dadas com a degradação quando a perfuração de poços desenfreada chegou a comprometer os níveis dos aqüíferos. “Em 1994, baixamos uma portaria com um elenco de medidas para disciplinar a utilização dessas águas”, diz o chefe de fiscalização dos recursos minerais do estado de Goiás, Valdijon Estrela.
As principais medidas adotadas para a preservação dos aqüíferos foram o uso exclusivo da água para balneoterapia, a substituição do abastecimento da cidade de Caldas Novas por águas frias e a conscientização da população e dos empresários hoteleiros para preservar o bem mais nobre da região.
Quando a geografia é favorável, é possível aliar turismo sustentável à gestão e minimizar o impacto ambiental que um grande empreendimento pode causar. Manoel Carlos Cardoso, diretor de marketing e vendas do Rio Quente Resorts – complexo turístico localizado na cidade de Rio Quente, conta que toda a água utilizada do complexo chega ao parque aquático única e exclusivamente pela força da gravidade, sem qualquer tipo de bombeamento artificial.
A mais nova atração do Rio Quente Resorts é uma praia artificial que ocupa uma área 25 mil m² e é a maior praia artificial de águas quentes correntes naturais do mundo. De acordo com Manoel Carlos, um criterioso plano de controle ambiental foi elaborado com o intuito de minimizar os impactos ambientais que uma obra desse porte poderia causar.
O projeto passou pelas avaliações da DNPM e da Agência Ambiental em Goiás. “Todas as indicações foram cumpridas e o Rio Quente Resorts preocupou-se ir além das exigências mínimas. Somos o único resort no Brasil certificados com a ISSO 14001”, diz o diretor de marketing.
Em relação à preservação da água, ele conta que a exigência do Ministério Público era que ela deveria ser devolvida ao meio ambiente em condições de lançamento de efluentes (como esgoto tratado). No entanto, a empresa devolve a água para o rio em condições de balneabilidade. “Afinal de contas, vivemos disso. Temos que preservar os negócios”.
Fonte: Revista Águas Subterrâneas – ABAS / Ano 2 / nº 8 / nov-2008